Novidades sobre o caso Marielle Franco

Polícia Está Certa Sobre o Envolvimento de Milícias

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Locais de entrada das balas no carro em que a vereadora e seu motorista foram assassinados.

O caso completa mais de um mês sem que haja uma identificação oficial dos executores da vereadora Marielle Franco. Porém, de acordo com a redação da VEJA, a polícia está certa sobre a autoria das mortes de Marielle e de seu motorista. Há fortes suspeitas de que um vereador eleito pelas milícias no Rio de Janeiro esteja envolvido no assassinato. O vereador já foi ouvido pela polícia e, porém, nega as acusações.

Queima de Arquivo de Suspeitos

Os dois principais suspeitos de serem os executores do crime estão mortos, de acordo com a polícia. Assim, os investigadores estão à espera de uma confissão ou de denúncias que possam gerar provas para fechamento do caso. Sabe-se que a arma usada no crime é de munição de 9 mm e foi comprada pela PF em 2006. Além disso, há fragmentos de digitais identificados nas cápsulas encontradas nas balas usadas para o crime. Essas digitais poderiam ser usadas na exclusão de possíveis suspeitos. Mesmo assim, polícia está certa de que houve um afunilamento das hipóteses e de que há de fato envolvimento de milicianos na ação.

Vítimas Voltavam de um Evento Na Lapa

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Ambas as vítimas foram atingidas de surpresa. Não houve relatos de ameaças prévias à vida de Marielle Franco antes do fato.

Marielle Franco e seu motorista Anderson Pedro Gomes voltavam de um evento na Lapa. Além dos dois, a assessora da vereadora estava no carro e não foi atingida. Ela testemunhou toda a ação dos assassinos e conseguiu fugir. Posteriormente, ela contou em depoimento para o jornal O Globo que não percebeu que o carro era seguido. A rajada de tiros veio de surpresa para todos dentro do carro, de acordo com a sobrevivente.

No momento dos tiros, Marielle caiu sobre o colo da assessora. Assim que o carro entrou na rua onde os tiros foram disparados, a vítima que sobreviveu somente ouviu o motorista exclamar um “ai”. Marielle e Anderson morreram no carro, que continuou andando em velocidade baixa. Em seguida, a assessora conseguiu puxar o freio de mão e parar o carro.

Marielle Não Comentou que Estava Sendo Ameaçada

Ainda em depoimento ao jornal o Globo, a assessora de Marielle contou à polícia um fato estranho. Alguns dias antes do crime, uma funcionária de Marielle foi abordada em um ponto de ônibus em tom ameaçador. Em depoimento a assessora disse que os homens perguntaram em tom ameaçador se a mulher trabalhava com Marielle. O acontecimento foi percebido como algo inusitado, pelo fato de ela ter sido reconhecida como uma das pessoas que trabalhavam com Marielle. A funcionária tinha uma função somente administrativa, por isso a estranheza. Embora não tenha alarmado a equipe da vereadora para o risco do que estava por vir.

Ainda segundo depoimentos, vários moradores de comunidades pobres do RJ tinham acesso à vereadora para denunciar a atuação de milícias principalmente nas áreas do 41º BPM. Porém, não houve ameaças claras à vida de Marielle que alarmassem a equipe antes dos acontecimentos.

Caso Marielle Gerou Denúncia por Parte da ONU Contra o Brasil

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Mais de cem entidades de Direitos Humanos denunciaram o Brasil para pedir investigações sobre a morte da vereadora.

O conselho de Direitos Humanos da ONU denunciou o Brasil por execução política no caso da morte de Marielle Franco e de seu motorista. O governo brasileiro foi instado a:

… assegurar uma investigação imediata, imparcial e independente, processando os responsáveis materiais e intelectuais deste crime …

Além disso, o texto do conselho da ONU pede abertura para a possibilidade investigativa de que o assassinato tenha sido uma execução extrajudicial. A relatora da ONU Agnès Callamard recebeu um vídeo e uma carta com denúncias a respeito do caso. A carta continha denúncias sobre a atuação de milícias, bem como arbitrariedades cometidas pelo 41º Batalhão da PM em Acari. Essa tropa fez parte em denúncias realizadas pela vereadora Marielle Franco. Ativistas declararam também que o Brasil se recusa a colocar em prática as recomendações aceitas nas avaliações mútuas internacionais da Revisão Periódica Universal – RPU.

Raul Jungmann Considera Caso de Provas Materiais

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Ministro declarou que as provas do caso são principalmente materiais, já que não houve ameaças à vida da vereadora antes das execuções.

Durante as investigações, o minístro da Segurança Pública Raul Jungman disse que:

Indícios apontam, possibilidades apontam para um crime de milícia

De acordo com o portal da UOL Notícias, a vereadora atuou durante a CPI das Milícias que tramitou no legislativo fluminense em 2007. Marielle havia servido como ponte entre o atual chefe da polícia civil Civil do Rio, Rivaldo Barbosa e o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ). Jungmann acredita que o crime pode ter ligação com a CPI das Milícias, além da atuação de Marielle nos anos de mandato denunciando a operação dessas organizações em comunidades carentes.

Ele também declarou que:

É bom lembrar que o caso Marielle é raro. Não se identificou até aqui nenhum testemunho de ameaças que tenham sido feitas a ela. Isso deixa a investigação basicamente no âmbito da materialidade.

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